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Falando da minha dor com
pessoas amigas, fui dividindo o que sinto e deixando de ser segredo o meu
sofrimento, ele foi ficando menos pesado. Como num passe de mágica, pude ver
sumir um pouco do muito que sentia. A dor não foi completamente embora, mas
deixei um pedacinho com cada amigo que pode me escutar e em quem posso confiar.
Tive medo de expor minhas feridas, mas já não tinha mais o que fazer, o coração
saltou para fora do peito, dilacerado, como quem não bate mais e foi o carinho
que recebi nesse momento o motivo de voltar a me fortalecer. Nunca uma dor doeu
tanto assim. Agradeço a Deus por ter amigos em quem confiar e família para
contar. Um dia, tudo isso será passado, e ele não será mais lembrado. Por agora,
sigo vivendo um dia de cada vez, suportando o que a cada dia é possível
suportar. Não posso ainda falar de futuro, planos, esperanças e sonhos, a meta
da vez é sobreviver a essa dor. Quando for amanhã, vejo como será. Por agora,
gratidão a todos que fizeram a dor ser mais suportável e aos poucos que secaram
meu pranto. Um dia de cada vez, é uma boa meta para se cumprir. Tem que ser
assim.
Ana Paixão, em dores da
alma.

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