Enquanto estamos apegados existem forças que nos mantém
ligados aquilo que supomos de nossa propriedade, como a verdade, por exemplo. Basta uma ação inesperada da vida para nos
colocar em nosso devido lugar de (in)significância.
Apegar-se a qualquer realidade efêmera é supor construir uma
casa sólida, porém, na realidade nada mais é do que um belo castelo de areia,
ao contato com a mais fina chuva ou leve vento, se desmancha de maneira a não
existir nada além de sombras de escombros.
Efêmero é tudo, somos nós. Nada, por melhor ou pior que seja,
dura para sempre. A dor é passageira e a alegria temporária. O tempo nada diz
das coisas, uma vez que inexistente em todo o espaço.
Apenas para fins didáticos e humanos medimos o que não se
pode controlar, e amamos aquilo que não podemos ter. A bem da verdade, nada temos de nosso, senão
a nossa própria alma.
As paixões são passageiras, enquanto o amor perene. Mas,
quantos são aqueles que conhecem o verdadeiro sentido do amor? Aquele desapegado,
sem ciúmes, sentimento de posse ou que aceita um não como resposta?
Quanto mais apegados, mais difícil será a compreensão das
energias sutis do espírito e dos movimentos da alma.
Até que exista uma evolução as trevas caminharão ao lado da luz,
sem que possa ser percebida e sem modificação da realidade.
O primeiro caminho para ver o que está disponível somente a
níveis sutis de visão é querer vê-los.
A luz precisa solicitação para ser revelada. Mas, quantos de
nós requeremos a sua presença?
Nada irá mudar até que possamos enxergar. A existência das
coisas não é negada, somente não revelada.
O sutil aos olhos e visível ao coração (a alma), está acessível
a todos aqueles que procuram a verdade. Qual verdade? Aquela que mora dentro de
cada um, mas conhecida por poucos.
O tesouro foi enterrado num local tão profundo e óbvio, que
poucos chegam a procurar lá. Dentro de cada um.
Ana Paixão

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